segunda-feira, 23 de março de 2009

04 - 21 e 22.02.2009 - Travessia da N. Srª da Peneda - 1º dia

Boas! Finalmente o relato da minha Travessia favorita de entre as que guio para a GEAPRO, a da N. Srª da Peneda. A minha favorita pelos trilhos, pelo tipo de beleza e pela camaradagem que tenho encontrado entre os participantes que tenho acompanhado durante a realização da mesma.
Adiante! Como sempre, tudo começou no dia anterior, sexta-feira, com o arranque da viagem a ser feito logo que saí do trabalho - o carro já estava carregado com todo o material necessário para poupar tempo. A viagem é longa e, já o sabia, ia descansar pouco. Encontrei-me com o outro guia, o Miguel, e continuámos a viagem na companhia um do outro, ainda que cada um no seu carro, já que somos de locais diferentes e um bastante afastadas. Quando chegámos a Espanha ainda andámos a preparar os carros que iriam acompanhar os participantes ao longo dos dois dias de pedaladas.
Manhã do dia 1 (apenas 5h depois de adormecer, podia ser pior), e a animação já imperava entre o staff, e quando nos juntámos aos participantes, aí então era mais que muito, com o reencontro de velhos amigos destas paragens, e a apresentação a novos companheiros. Tudo preparado e lá arrancámos com o atraso da praxe. Saímos de Entrimo, e ainda circulávamos em alcatrão numa estrada ladeada por uma fantástica mata de um lado e de um rio cristalino do outro, e eis que surge o primeiro furo, com menos de 3km!!! Para ser mais rápido trocámos a roda por outra que estava no jipe que, como é habitual, vinha a fechar o percurso. Novo arranque, e por fim entrámos em terra. Uma pequena extensão de sobe e desce para nos habituarmos ao tipo de terreno, e eis que começa a primeira subida do dia, a mais longa de toda a travessia, com cerca de 20km, começando nos 500m e acabando praticamente nos 1400m de altitude. Com um tempo fabulosamente primaveril, lá fomos subindo com muita conversa, alguns desafios, e paragens para fotos. Devido à diferença de andamentos o grupo acabou por se partir em dois, embora nos voltássemos a juntar por alguns momentos aquando do abastecimento. Entretanto, começaram a aparecer os primeiros vestígios de neve, primeiro pequenos restos, para depois dar lugar a uma imensidão de caminhos gelados que proporcionaram grandes momentos de diversão a todos! Tempo para pedalar um pouco em (falso) plano para, entretanto, se fazer a grande descida do dia. Tudo o que sobe, desce, e depois de 20km a subir foram mais de 5km a descer, bem depressa em estradão largo e rápido, com algumas zonas com pedra solta e regos transversais a exigirem alguma atenção da parte de todos. Chegados ao fim da descida aproveitámos para visitar um café (ou melhor, "tienda") onde uma fantástica salamandra tinha "salvo a vida" a muitos de nós 2 anos antes, quando fomos apanhados por um fortíssimo nevão ainda durante a subida. Depois de recordados esses momentos, tempo para continuar por uma bonita estrada durante algum tempo, com algumas subidas, até entrarmos numa nova localidade e sairmos à esquerda para terra, para aquela que era a "parede" do dia. O grupo que eu acompanhava (tal como eu) ainda tentou, mas a inclinação, juntamente com o mau estado do piso obrigaram-nos a desmontar e seguir durante algumas dezenas de metros a pé, a empurrar as bicicletas. Lá conseguimos voltar a montar e seguir pedalando, mas a partir daqui o percurso endureceu ainda mais, subindo constantemente durante cerca de 10km, mas com inclinações bem mais íngremes do que na subida com que tinhamos iniciado o dia - que belíssimo treino, afinal de contas um dos meus objectivos para esta deslocação ao Gerês. Nova entrada em estrada, agora já com a maior parte da jornada percorrida. Uma descida longa para relaxar, viragem à esquerda e entrada numa outra estrada, mais secundária, ladeada de belíssimas matas de ambos os lados. Mais um topo ou dois e descida final até ao hotel onde iríamos pernoitar, o Hotel da Peneda. Bicicletas arrumadas, banhos tomados - hora de jantar para retemperar forças e trocar episódios vividos durante o dia.
Para verem as fotos deste 1º dia, sigam o seguinte link:

segunda-feira, 2 de março de 2009

03 - 15.02.2009 - 3H Resistência Róódinhas

Olá!
Eis que chega a prova organizada pela minha equipa, Róódinhas/Santos Silva TMN. O mesmo tipo de prova que aquela em que participei duas semanas antes - uma resistência - mas com metade da duração, ou seja, desta vez seriam apenas 3 horas. Esta diferença faz com que a abordagem à prova seja completamente diferente, já que uma prova com 3 horas assemelha-se mais a uma prova de XC do que a uma prova de resistência pura. O ritmo que se impõe é muito mais forte pois a gestão é adequada à duração mais curta da prova.
Arrancámos bem cedo de Alcobaça, e, 15 minutos depois estávamos na sede dos Róódinhas, a Associação do Norte da Vila na Benedita. Arco de meta montado, pista delimitada, e ambiente ainda calmo foi o que encontrámos àquela hora. Depois dos afazeres de secretariado tratados, tempo para, invariavelmente, confraternizar com os amigos de sempre e outros que se vão fazendo nestas lides. Entretanto a hora da partida começava a aproximar-se e as conversas foram terminando, já que era tempo de tratar de vestir o equipamento, colocar dorsais, massajar as pernas com o creme de aquecimento, preparar bidons para levar na bicicleta e para o abastecimento, e outras coisas de última hora que aparecem sempre.
Tal como nos Pousos, dirigi-me tardiamente para a partida, tendo ficado bem na cauda do pelotão para o arranque. E eis que soa a buzina de partida, e mais uma vez a confusão de sempre. Logo no arranque começo a passar bastantes participantes, mas pouco depois entrávamos no primeiro singletrack do percurso, e aí não havia nada a fazer a não ser ir atrás dos outros atletas. Entretanto aparecia a primeira subida curta, onde deu para passar mais alguns adversários. De seguida fazíamos uma descida bastante rápida, mas que no final tinha uma curva à direita com um enorme rego na zona interior, o que obrigava novamente a ir em fila indiana. Tempo para mais uma subida, agora uma das duas que marcavam a prova por serem as mais duras pela inclinação, e, neste caso, também pela extensão, principalmente quando comparada às restantes que constavam do percurso. De seguida entrávamos numa zona de plano onde se dava bom uso às mudanças mais pesadas, uma zona onde se rolava acima dos 25km/h. Entrada em mais uma zona de singletrack, desta vez com uma primeira parte a subir, sempre com muitas curvas - uma zona bem divertida, com muita condução. A segunda parte era já a descer e dava acesso a um estradão onde se continuava a descer, atingindo-se velocidades bem interessantes! Antes de entrar numa pequena secção de alcatrão existia uma zona de lama com cerca de 3/4 metros de extensão onde havia que ter algum cuidado, já que entrávamos nela com a velocidade que traziamos da descida em estradão. Foi aqui que estive parado algum tempo passadas algumas voltas junto a uma participante feminina que caiu com alguma gravidade - os bombeiros chegaram entretanto e receio que existisse alguma fractura no ombro. De seguida continuava-se a descer em alcatrão - uma boa zona para descansar e absorver alguns líquidos e/ou sólidos. Nova entrada em todo o terreno para uma zona ligeiramente a subir em cima de uma laje um pouco incerta - nada que justificasse o uso de uma suspensão total - sempre feita em tripla ao longo de toda a prova, continuando depois por mais uns singles fabulosos, com muita condução. Mais uma pequena ligação em estrada e nova entrada em singles, estes com alguma (pouca) lama, a exigir um pouco mais de empenho e de desenvoltura técnica. Entrada na última zona de alcatrão da qual constava a segunda subida digna desse nome do percurso, neste caso não pela extensão, mas pela inclinação na sua parte final. Entrada na última zona antes da meta, e, mais uma vez, singletrack. Durante a segunda e terceira volta fui sempre dividindo o esforço com um outro atleta, mas durante um ligeiro abrandar de ritmo na passagem pelo abastecimento para troca de bidon ele adiantou-se ligeiramente, e nunca mais consegui recolar. Entretanto, começo a ver a atleta feminina que veio a terminar em primeiro lugar, que tinha partido bastante mais à frente, mas demoro bastante tempo a colar a ela, já que ela seguia com um ritmo bastante forte. Até à última volta fomos trocando de posições várias vezes, por norma eu passava sempre para a frente nas zonas mais técnicas, já que era mais rápido nessas zonas. Na entrada para a última volta senti que estava a quebrar, mas já não tinha mais nenhum gel. Ao passar na minha zona de assistência pedi um, mas tinham acabado. Logo aí apercebi-me que iria ter uma quebra de rendimento antes de terminar a última volta. Fui seguindo, impotente perante o abrandamento gradual que me ia afectando, mas tentando sempre perder o mínimo de tempo e andamento possível. Entretanto sou dobrado pelo meu colega de equipa Mauro Jorge a quem peço um gel. Felizmente ele tinha um e prontamente cedeu-mo. Ingeri rapidamente para que fizesse efeito o mais depressa possível. Pouco depois fui dobrado por outro colega, Sérgio Sacadura, que me incentivou à passagem. Desde já o meu obrigado! Não sei se foi disso, mas sei que até ao fim mantive sempre uma distância de cerca de 100 metros para ele.
Para a história fica o 51º lugar entre os 165 atletas que partiram.
Os meus parabéns a toda a estrutura Róódinhas que montou uma belíssima prova, tendo angariado elogios de todos os participantes com quem tive oportunidade de falar depois de terminadas as 3 horas. Não posso falar dos banhos (tinha que me esquecer dos chinelos...), mas que fantástico almoço!
Resta-me agradecer à Helena Lourenço, Suéli Lorvão e Carla Franco pela assistência prestada. Parabéns pelo excelente trabalho!
Até à próxima!
Boas pedaladas

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

02 - 01.02.2009 - Troféu Airbike: 6H Resistência Airbike (Pousos)

Olá,
desta vez venho descrever a minha primeira participação da época de 2009, as 6h de Resistência do Troféu Airbike, após a impossibilidade de participar no Raid de S. Martinho pelas condições atmosféricas extremamente adversas que se fizeram sentir no dia da prova.
A minha participação nesta primeira prova do Troféu Airbike 2009 começou no dia anterior à prova, tendo-me dirigido ao local da prova para fazer o reconhecimento do percurso e possíveis zonas de assistência. Chegado ao local, e após uma curta conversa com o staff da organização, fui dar uma volta ao percurso para ficar a conhecer o mesmo: zonas rolantes, subidas, descidas, zonas técnicas, zonas que se viessem a tornar impossíveis ou quase por causa da lama, já que o mau tempo já se prolongava há mais de 4 semanas. Desde logo tive a percepção de algumas zonas que seguramente iriam ficar muito complicadas com a passagem dos cerca de 170 atletas inscritos, ainda sem contar com as 6 horas de duração da prova. Para além disso, desde logo fiquei com a certeza que para terminar a prova seriam necessárias duas coisas: uma bicicleta bem afinada/ fiável e estar preparado psicologicamente para a tortura que facilmente se adivinhava. Este segundo aspecto tinha uma razão de ser adicional: pela minha experiência, e tendo em conta as condições do percurso, e a previsão de chuva para a altura em que a prova estaria a decorrer, era mais do que certo que iriam desistir muitos participantes, fosse por falta de vontade de andar à chuva/lama ou por falta de vontade de andar a estragar material, o que fazia com que a possibilidade de ficar ainda melhor classificado aumentasse muito.
No domingo acordei bem cedo, tomei um bom pequeno-almoço, preparei as poucas coisas que faltavam e fui para os Pousos. Fui dos primeiros a chegar, o que permitiu desde logo reservar um bom espaço não só para mim, como também para o resto da equipa. Como faltava muito tempo para a partida, foi uma boa oportunidade para pôr a conversa em dia com algumas pessoas que não via há muito tempo. Feito o "check-in", preparou-se a bicicleta e deu-se entrada da mesma no parque fechado. Tempo para algumas fotos de equipa com os restantes membros do Róódinhas/Santos Silva TMN, e entretanto era tempo de ir para a linha de meta. Como se tratava de uma prova de resistência longa, não tive muita pressa, e fui dos últimos a chegar, ficando assim na cauda do pelotão.
Partida! Para não variar a confusão habitual, e, também a vontade de partir a fundo. No entanto, isso seria uma má jogada, já que iria pedalar 6 horas, não 1, 2 ou 3. Desde logo fiquei impressionado com a rapidez a que o piso se estava a degradar, bem superior ao que tinha imaginado. Ainda na primeira volta havia zonas que estavam já praticamente impossíveis. Nada mais restava do que manter uma atitude positiva perante as adversidades para resistir o máximo e fazer o máximo de voltas nas 6 horas de prova. Começei a passar alguns atletas que arrancaram forte demais, continuei sempre a ganhar lugares durante toda a prova. Na primeira passagem pela meta recebi o bidon que não levei para a primeira volta, já que não achei necessário. Continuava a sentir-me muito bem, afinal o percurso tinha cerca de 10km. Continuou a correr tudo bem, sempre com muita motivação, muito boa disposição, enfim, a postura que eu queria para que tudo corresse pelo melhor. Algumas barras ingeridas, algumas embalagens de gel, muitos hidratos e sais fundamentais para o corpo continuar a funcionar bem. Já não sei em que volta, mas, com tanto gel ingerido comecei a ficar bastante indisposto, tendo de parar um pouco na zona de assistência para comer algo mais natural e que me ajudasse a melhorar. Algumas garfadas de massa e carne e melhorou-se um pouco. Entretanto, deu-se a chegada da tão anunciada chuva que caiu durante cerca de 15m. Felizmente o percurso era quase todo em zonas de mata, logo, proporcionava bastante abrigo. De tal forma que não se sentiu muito, e na passagem seguinte pela meta bastou trocar de camisola interior. As pernas sofreram um pouco mais, já que arrefeceram bastante com a chuva fria, o que me fez passar um bocado menos bom com ameaças de cãimbras, não pelo cansaço, mas por os músculos estarem tão tensos do frio. Abrandou-se um pouco o ritmo como consequência, mas entretanto as pernas voltaram a aquecer. Cada vez via menos gente no percurso, impressão essa que me era confirmada pelos vários elementos da organização espalhados ao longo do percurso - a minha previsão confirmava-se! O final aproximava-se, o corpo começava a falhar, os jogos psicológicos já eram mais que muitos, mas lá se foi continuando a luta. A presença de alguns amigos na zona de assistência nas últimas voltas foi uma preciosa ajuda - muito obrigado! À entrada da última volta o meu colega de equipa Sérgio estava parado na zona de assistência com um problema técnico: corrente partida. Ninguém estava a conseguir resolver o problema apesar de toda a boa vontade. 5 minutos depois estavamos ambos a arrancar para a última volta cheios de vontade! Foi uma aventura fazer as descidas nesta última volta, já que as pastilhas do meu travão traseiro já tinham chegado ao ferro o que resultava num efeito de abrandamento, não de travagem. Já perto da zona de meta para finalizar a prova ganharam-se mais algumas posições num último esforço. Cheguei muito desgastado, o que não é de estranhar pois estamos no início da época e a forma física ainda não está a 100%.
A posição final veio a confirmar que o meu raciocínio e planificação estavam ambos correctos: 37º lugar da classificação geral e 13º de veteranos A. Um resultado que me deixou bastante satisfeito, já que tinha estabelecido como objectivo entrar no top 50 para pontuar. Penso que representei a minha equipa de forma positiva, pontuando logo na primeira prova em que defendi as suas cores e patrocinadores.
Relativamente à organização, os meus parabéns. Depois de várias semanas de mau tempo conseguiram fazer um percurso que, apesar de se ter estragado bastante em 2 ou 3 pontos, se manteve na sua quase totalidade ciclável, embora bastante duro e com muito poucas zonas de descanso/recuperação. Para as zonas que se tornaram intransitáveis podem apostar em zonas alternativas como se faz num dos percursos da Taça do Mundo de XCO, e assim manter a qualidade e praticabilidade de todo o percurso. Relativamente aos banhos e lanche não me posso pronunciar, porque como moro perto escolhi recolher para o conforto do lar.
Muito obrigado às pessoas que me deram força ao longo das 6 horas e trataram do meu abastecimento: Helena Lourenço, Suéli Lorvão e Sr. Luis Mateus dos Róódinhas. Sem vocês teria sido infinitamente mais duro.
Obrigado também a outras pessoas que estiveram no circuito durante as 6 horas e tentaram sempre manter o espírito animado, volta após volta: Sr. Emídio Marrazes, Pedro Cunha e Rui Martins.
Um abraço ainda aos amigos que foram aparecendo ao longo da prova e me encorajaram a continuar sempre com a máxima força, mesmo quando a mesma começava a faltar.
Agora resta recuperar e continuar a treinar porque a próxima prova está a chegar: 3H Resistência Róódinhas na Benedita.
Até lá,
Boas pedaladas