sexta-feira, 30 de outubro de 2009

18 - 17 e 18.10.2009 - Geo Raid AX 2009 (Lousã)

Boas! Esta foi, talvez, a maior aventura de 2009, já que se trata de um conceito novo para mim: uma prova de 2 dias com colega de equipa. Confesso que esta parte me deixou algo apreensivo, já que não aprecio muito a responsabilidade de poder atrasar o colega de equipa com um dia menos bom. Felizmente a experiência foi muito positiva, e, tal como nos reconhecimentos, o espírito de equipa esteve sempre em grande, embora debaixo de uma pressão bem maior: passeio é passeio, outra coisa é ter um cronómetro a marcar o passo.
Na 6ª feira chegámos um pouco atrasados ao briefing - afinal de contas, temos de trabalhar... - mas nada de grave, já que já tinha lido o regulamento de uma ponta a outra. Assim, restou fazer o secretariado, o carregamento do track para o 1º dia, e ir para a Pousada da Juventude da Lousã, uma unidade muito moderna e com muito boas condições. Parecendo que não, já passava da meia-noite, o descanso já não ia ser muito. Como ninguém tinha sono, risota até às 2 da manhã.

Sábado, 1º dia
Acordar cedo, preparar as poucas coisas que não tinham ficado prontas e pequeno-almoço! Tudo feito e lá nos dirigimos para a partida. Tendo em conta a hora e a localização geográfica, a temperatura era bem mais baixa do que aquela a que estava habituado - arranquei com manguitos que só bem mais tarde tirei.
Este primeiro dia foi igual em tudo aos reconhecimentos que tinhamos feito no Verão, excepto uma alteração a meio da etapa, a sair das Fragas de Saõ Simão não se subiu por alcatrão, mas por uma subida londa e bem mais inclinada e dura que a de alcatrão - que petisco que os Antónios nos arranjaram... De início, e porque com mais gente por perto a tendência é para o entusiasmo ser maior, o ritmo foi um pouco mais vivo, e achei melhor pôr alguma "água na fervura". Sempre a subir, passagem pela bela Gondramaz, continuando a subir para as primeiras eólicas do dia (onde parei para tirar os manguitos e comer uma barra), depois sempre a descer a grande velocidade e a passar várias equipas até à praia da Louçainha. Nesta altura apanhámos uma equipa de dois velhos amigos da Travessia de Portugal, o Gustavo e o Carlos de quem andámos perto em S. João do Deserto, Ferraria de São João, na passagem por baixo do IC8. Continuámos para Casal de S. Simão, fizémos o single para as Fragas de S. Simão e fizemos mais uma paragem para abastecer estômago e bidons. Fisicamente estávamos a sentir o corpo em boas condições e o ritmo estava bastante alegre. O tal petisco que os Antónios arranjaram arrancou uma série de expressões menos próprias da minha boca: que subidão... que por acaso já conhecia, mas jipe! Paragem num café, o João bebeu uma Cola, eu comi uma sandes que levava na mochila. Passagem em Ana de Aviz, e entrada em mais uma zona de subidas de pendente acentuada, mas pouco estimulante, no meio de um eucaliptal com muita pedra no caminho. Nesta altura comecei a sentir que algo não estava bem - seguramente que se tratava de algum cansaço, já tinhamos 75km a um ritmo bem superior ao dos reconhecimentos, mas acima de tudo sentia que o meu corpo não estava nas suas condições normais - um crescente desconforto fazia-se sentir, que mais tarde se veio a materializar em cólicas bem fortes - olhando para trás, e por muito desagradável que seja falar nisto, mas faz parte da análise que se tem de fazer, na semana anterior ao Geo a barriga não funcionou com a regularidade habitual, e durante o fim de semana pura e simplesmente não funcionou. Daqui para a frente o ritmo diminuiu, e os estradões do parque eólico de Castanheira foram um martírio, não pelas pernas, não por ter sido apanhado pelo temível "Homem da Marreta" (que felizmente nunca nos apanhou durante os dois dias de prova), mas pela razão que abordei acima. Depois do estradão veio a florestal da qual não pude disfrutar pelo desconforto sentido, até chegarmos aos últimos 14kms, feitos a descer. Nesta parte, e porque estavamos a ser atacados por algumas equipas, dei tudo o que tinha e podia, e num ritmo completamente alucinante acabámos por recuperar 2 ou 3 posições até à meta - pode-se dizer que, da nossa parte, foi literalmente um sprint com 14km de extensão.
Restou entregar o GPS para ser verificado pela organização, ir para a Pousada tomar banho e jantar com os irmãos Sérgio e Jorge Valente e o muito simpático pessoal do MaxiGym.

Domingo, 2º dia
Estava tudo preparado já desde o dia anterior, mas por algum motivo do qual já não me lembro, atrasámo-nos. Assim, estavamos a ir para a meta e as equipas todas a passar em sentido contrário - já tinham partido! Lá se perderam 4m nesta nossa falha, mas nada de grave, o essencial era a diversão, e essa foi mais do que muita! Não tinhamos feito o reconhecimento deste 2º dia, mas posso afirmar que foi o mais divertido e bonito dos dois, para mim, claro. Início a subir, pois claro, e neste dia logo durante 20km até ao Alto do Trevim, ponto mais alto da Serra da Lousã. Apesar do atraso, pouco tempo depois de entrarmos em terra começámos a passar várias equipas. Apesar do cansaço acumulado do dia anterior as pernas reagiram bem, e depois de aquecidas responderam bem. Como se não fosse suficiente a extensão desta subida, houve algumas zonas onde nos deparámos com rampas bem inclinadas, embora cicláveis para nós - como se ouviu muito, e à semelhança de um concurso da televisão nacional: "Soltem a parede!" Do Alto do Trevim a paisagem já me era conhecida de outras passagens por esta zona do país, mas considero muito superior às também boas vistas do primeiro dia. Tempo para uma boa descida para logo de seguida se começar a subir para o Aeródromo mais alto do país, do Coentral - é sempre engraçado pedalar na pista. Daqui para a frente a diversão aumentou bastante, descemos para Sto. António das Neves, sua capela e poços da neve, continuando a descer, bem depressa, por uns estradões primeiro, depois por "doubletrack" com algumas pedras a saltarem de debaixo das nossas rodas. Passagem pelas aldeias de Aigra Velha e Aigra Nova (onde parámos para abastecer o organismo) e mais umas descidas que nos puseram largos sorrisos no rosto. Passagem para o outro lado da estrada que liga a Lousã a Góis, e começou a última parte do dia, com uns bons singles, um estradão para rolar a mais de 30km/h uma travessia do rio Ceira (que água tão gelada!!!), e mais uns singles bem divertidos. Numa pequena aldeia ultrapassámos cerca de 3 equipas que estavam a abastecer de água. Daí para a frente fomos no ritmo máximo possível para os kms que faltavam, sem fazer muito barulho para não denunciar a nossa posição, já que conseguiamos ouvir as equipas que tinhamos deixado para trás, e sempre a tentar apanhar uma equipa que conseguiamos vislumbrar à nossa frente há já bastante tempo. Entrada na última subida do dia, por fim com a equipa que seguia à nossa frente apanhada, mas também apanhados pelas equipas que nos seguiam. De início fomos nós a puxar, houve dois endurecimentos de ritmo por parte de outra equipa, mas no final da subida passámos para a frente e, tal como no dia anterior, foi até não ter mais mudanças para meter na descida. No alcatrão já tinhamos cerca de 10 metros de vantagem, e quando fizemos a última descida em calçada já dentro da Lousã e entrámos na recta da meta, já não se via ninguém - finalmente deu para descontrair, mais uma vez ao fim de 15km sempre a dar o máximo! Missão cumprida com a máxima diversão! Banho tomado, entrega de diplomas e prémios feita, tempo de voltar para casa a pensar seriamente no trofeu 2010...
Boas pedaladas

sábado, 3 de outubro de 2009

17 - 20.09.2009 - 2º Raid do Juncal (Juncal)

Boas! Desta vez venho relatar a minha participação no 2º Raid do Juncal. Saí de casa muito atrasado, de tal forma que cheguei 10m antes da partida! Foi uma correria, mas felizmente o secretariado foi muito rápido - até demais já que ninguém me pediu identificação no levantamento do dorsal... Lá alinhei na partida junto de alguns amigos, e até deu para conversar durante 5m. Curiosamente estava bastante relaxado, apesar das correrias, talvez porque conhecia os singles da Ataíja e Chiqueda e sabia que a diversão estava garantida. Por outro lado, não me estava a pressionar em relação a resultados, o espírito estava mais virado para o modo "passeio", muito por causa de uma constipação que me afectou durante a semana e da qual ainda andava a descarregar,... fortemente. Por fim, arrancámos, e depois da volta pelo Juncal - onde houve logo um acidente bastante aparatoso com dois ciclistas da mesma equipa - lá entrámos nos trilhos. E o que dizer dos 30km iniciais? É fácil: FABULOSO!!! Não é nada que não me fosse já conhecido, mas nunca tinha percorrido todos aqueles singles em ritmo de prova, e foi do outro mundo.
No entanto, um reparo à organização, as marcações deviam estar bem melhores, já que houve muitos enganos nesta zona, os trilhos são muitos, e se a marcação não é a mais correcta, dá confusão de certeza - eu tive 2 enganos, e toda a gente com quem falei no final se queixava do mesmo. Uma outra nota, e desta vez não é para a organização: é uma pena que muitos ciclistas ainda não usem uma cadência alta em zonas técnicas, porque assim acabam por não conseguir passar alguma(s) dificuldades existentes naqueles trilhos, e acabam por obrigar toda a gente que vem atrás a desmontar... Uma seca, tira parte da piada de se fazerem estes trilhos, e por norma não se deixam ultrapassar... É pena, mas enfim... nada a fazer. Adiante!
De notar que estes 30km iniciais foram sempre feitos a dar o que tinha, num ritmo muito muito vivo. Estava admirado comigo mesmo, por estar a aguentar tantos kms sem controlar um pouco o andamento - há bem pouco tempo o mesmo não era possível, é sinal que os treinos estão a ser bem produtivos. Depois de passarmos o 2º abastecimento, no Intermarché da Cumeira (de referir que não parei nos 2 primeiros) entrava-se num tipo de trilho muito diferente, mais estradão, com muito sobe e desce, ora entre eucaliptos, ora à "torreira" do sol. Por volta do km 40 veio a esperada quebra, e tive, obrigatoriamente, de baixar o ritmo. Passagem por mais uns trilhos conhecidos: Amazónia, completamente estragada por terem aberto o caminho para a passagem de veículos de 4 rodas, Santa Rita, onde havia mais um controlo e um abastecimento. Nos 7km finais veio um novo vigor, talvez porque me estavam a tentar ultrapassar. Analisei o pedalar dos adversários, vi que estavam nos limites, enquanto eu tinha recuperado bem nos kms em que fui obrigado a controlar o meu andamento. Acelerei e fui embora. Acabei ao sprint com mais um concorrente e ganhei. Finalizei o 2º Raid do Juncal em 47º com 3h38m55s, o que deu média de 17,5km/h para os 64km e 1300m de acumulado feitos.
A zona de meta merecia ser bem melhor, já que mal saíamos do trilhos estavamos no arco de meta, sem espaço para sprints ou comemorações. A prova merecia e parece que para o ano será melhor, já que espaço também não faltava. Estreia dos balneários novos, e servimos de cobaia para o sistema de aquecimento da água: pelava, credo!
O almoço foi bom, comida com muita fartura, muita rapidez e simpatia no atendimento.
Sem dúvida a repetir, e espero que o Clube do Juncal emende as poucas coisas que correram mal para ser realmente um evento sem falhas. Fotos não tenho, mas vou ver se o meu parceiro de GeoRaid me arranja, já que esteve lá a fotografar.
Boas pedaladas

terça-feira, 15 de setembro de 2009

De férias na Lousã: ensaio geral para o GeoRaid

Olá! As férias já acabaram e até já estou a trabalhar, mas depois do repto do João não podia deixar de dar a minha contribuição. Depois de alguma busca na net, decidi ir de férias para a zona da Lousã com a Lena, e assim conhecer as Aldeias do Xisto, não só as da Lousã, mas também as pertencentes a Góis, Figueiró dos Vinhos, Penela e Miranda do Corvo, bem como a rede de praias fluviais existentes nas mesmas zonas. Desde já posso adiantar que gostámos muito, embora eu sinta que a ideia que é passada no site das aldeias é um pouco enganadora: estamos à espera de encontrar aldeias vivas, quando a realidade é precisamente o oposto. Ainda assim existem excepções, mas são raras.
Antes de partir já tinha falado com o João sobre o meu destino de férias e sobre a possibilidade de se juntar um grupo de amigos para fazer o 1º dia do GeoRaid da Lousã de 2008. Depois de várias SMS e chamadas, acabámos por ser só os dois confirmados, o que acabou por ser bom, já que depois do convite do João para formar equipa para a edição de 2009, o passeio tornou-se acima de tudo um ensaio inicial - costumamos andar de bike de estrada algumas vezes juntos e temos ritmos relativamente semelhantes, mas nunca tinhamos andado juntos em BTT - e um ensaio geral - para tomar a decisão final: inscrever ou não!
Depois de um pequeno atraso, lá partimos para a aventura, e, diga-se, não há muito tempo para aquecer, já que, mal se começa a sair da Lousã já se está a subir. Como tinhamos muito do que falar, a subida inicial fez-se bem, diria mesmo que quase passava despercebida, não fossem as belíssimas paisagens que nos obrigavam a parar frequentemente para tirar fotografias. Aproximávamo-nos rapidamente da primeira aldeia de xisto, Gondramaz - está muito gira, vale a pena visitar - com um acumulado de mais de 700m em menos de 20km... Após esta aldeia, continuava-se a subir, agora já em estradão de acesso aos geradores eólicos, ultra-suaves, mas sem grandes desafios para a condução... A vista, essa sim, a valer bem a pena!
Tempo para uma longa e rápida descida, seguida de uma zona mais plana com várias sequências de curvas à esquerda e à direita. Passagem por uma barragem de captação de água, para pouco depois se chegar à primeira praia fluvial do dia: Louçainha.
Depois de uma fase de descanso tinha de se seguir uma fase de esforço, obrigatoriamente. Tempo para se subir até São João do Deserto - aqui foi necessário circular com algum cuidado, os madeireiros tinham andado a cortar madeira e o conceito deles de deixar os caminhos limpos para a circulação é algo dúbio... Pequeno precalço, as pilhas do GPS acabaram, nada que não se tenha resolvido (obrigado João pelas pilhas da máquina e desculpa teres ficado sem tirar mais fotos o resto do dia...), e lá continuámos, primeiro por um curto single em pedra, depois por estradão, para a segunda aldeia de xisto, Ferraria de São João, que por acaso até nem é de xisto. Agora entrávamos numa zona rápida, em plano ou ligeiramente a descer, sempre a pedalar a velocidades bem elevadas. Apenas tinha que se ter atenção aos pontos no GPS que indicavam qual o trilho a seguir nas bifurcações que iam aparecendo. Passagem por baixo do IC8, e novamente a subir até à terceira aldeia de xisto, Casal de São Simão, pelos caminhos menos interessantes do dia, na minha opinião. Esta aldeia é das mais bonitas que tive oportunidade de visitar - recomendo vivamente uma visita à mesma. A saída da mesma é feita por outro single, muito engraçado, mas muito curto. E assim estamos na praia fluvial das Fragas de São Simão, que, diga-se, é fantástica. Fizemos uma longa paragem, alimentámo-nos bem, hidratámos o corpo e os bidons/mochilas. Aqui estavámos no ponto mais afastado da partida na Lousã. A partir deste momento começava o regresso, e pelo acumulado que se lia no GPS, muito restava ainda para subir. E começava logo a sair das Fragas com uma subida em paralelo bem durinha, que depois continuava durante bastante tempo por alcatrão. Mais uns caminhos de terra e entrada na praia fluvial de Ana de Aviz, uma das melhores (ou mesmo a melhor) em termos de infraestruturas. Daqui para a frente o caminho seguido estava intimamente ligado aos estradões de acesso aos geradores eólicos, salvo erro, de Castanheira de Pêra. Aqui apareceram as subidas com maior pendente, o que aliado ao vento forte que se fazia sentir ao fim da tarde não ajudava muito. Por fim lá saímos para uma florestal à esquerda, que ao não estar assinalada (e porque já tinha havia alguns problemas de navegação com o GPS) me obrigou a fazer duas vezes a mesma parede... é tudo treino! Esta florestal era fantástica, com muitas pinhas minúsculas no chão, e com o cruzamento da mesma por mais dois corços (tinha-me esquecido que de manhã tinhamos avistado outros dois). Já faltava muito pouco para a descida final até à Lousã, mas fizemos uma última paragem para dar ar ao pneu traseiro do João que estava com um furo lento, e apreciar a fantástica luz de fim de dia. Problema temporariamente resolvido, eis que começamos a descer por uma antiga estrada nacional, agora um estradão onde ainda se vislumbram pequenos pontos de alcatrão grosso e bastante antigo. Mais mudanças houvesse, mais mudanças se usariam. Parámos ainda num miradouro sobre a Lousã para um último olhar - a aventura estava a terminada!
Conclusão: já estamos inscritos!
Boas pedaladas